segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Opération “Choc de l'Ordre”



Há em Paris uma contínua operação “Choque de Ordem” igualzinha à do nosso amado Rio de Janeiro.

Isso porque os parisienses – de forma geral – são bem espaçosos: estacionam seus carros em qualquer vaga (até para deficientes), param em fila dupla e deixam o carro sozinho, ocupam espaços públicos com cadeiras e puxadinhos em permissão e por aí vai.

Normalmente não faço nada isso, mas hoje fiz: parei o carro de forma irregular e me dei mal ao descobrir que haviam rebocado meu querido meio de transporte.

Até o final de 2009, no Rio de Janeiro, bem antes da operação “Choque de Ordem”, só tive o carro rebocado uma vez ao longo de 26 anos de habilitação: deixei o carro na vaga, com o vale do Vaga Certa, mas como a reunião na qual estava demorou mais que o previsto (coisa de meia hora) ao descer não encontrei o carro na vaga certa (poderia ter errado, mas era sim, a vaga certa).

Suspense, apreensão: será que foi rebocado? Será que foi furtado? Corri para o guarda mais próximo (uns três quarteirões) e perguntei se um reboque esteve na área e a resposta foi certeira: - “não sei, não. Tente se informar no site do Detran. Se não estiver lá em uma hora, é porque foi roubado, aí o Senhor vai na Delegacia dar parte”.

Mais suspense, mais apreensão: porém, antes de uma hora, com cerca de apenas 45 minutos, lá estava o carro no cadastro de veículo rebocados. Ufa, pensei, que alívio: agora basta pagar a multa, o reboque e ir pegar o carro no depósito.

Como ainda era 13h00 e estava na Visconde de Inhaúma, perto do Detran RJ, fui feliz da vida pagar a multa e o ‘nada consta” para recuperar meu carrinho. Chegando lá encontrei uma fila que parecia para Fla-Flu com preços de geral nas cadeiras, enorme. Depois de 90 minutos peguei minha guia e fui pagar no banco, Itaú, se não me engano.

Mais 60 minutos e uma surpresa: fui informado no banco que, se quisesse pegar o carro teria que ir no posto da Cet-Rio porque, naquele momento, estava pagando a multa apenas e que faltaria então, para recuperar o carro, pagar também o reboque.

Não acreditei, claro. Voltei ao Detran para perguntar e, mais 45 minutos depois, veio a confirmação: - “é, o Senhor vai ter mesmo que pagar o reboque. E para fazer isso o Senhor vai ter eu ir lá do outro lado da Presidente Vargas, no posto de recolhimento da Cet-Rio para tirar a guia do Darm. Aí sim o Senhor vai conseguir tirar o carro”.

Lá fui eu atravessar a avenida para pegar e pagar a guia. Uma vez lá foi bem rápido, só meia hora – só que não era lá que pagava, era no mesmo Itaú. Mais 60 minutos.

Finalmente tinha tudo para pegar o carro que estava em um depósito que, se não me engano, era atrás perto do Norte Shopping. Peguei um táxi e cheguei rapinho e, em menos de meia hora, lá estava eu no portão do depósito. Lá estava e lá fiquei porque havia fechado às 17h00.

Ou seja, além do nada consta, da multa, do reboque, do táxi e do meio dia de trabalho perdido, teria que voltar no dia seguinte – fui o que fiz para descobrir que, além de tudo, haviam quebrado um dos espelhos do carro.

E dei sorte porque em 2009, se fosse durante o fim de semana, só na segunda-feira seguinte que conseguiria recuperar o amado carrinho.

No final descobri que muito mais que a justa sanção pecuniária, havia neste processo uma pesada sanção complementar por parte do descaso das autoridades (in)competentes que à época fizeram questão de não olhar para esse processo penoso ao cidadão – ou então deixassem apenas a “maratona” e abolissem as multas.

Mas voltando para Paris onde tive hoje o meu carro rebocado por ter parado em uma vaga inadequada (era exclusiva para “transport de fonds” e antes das 19h00) para uma rápida ida ao supermecado (rápida mesmo, nem 15 minutos).

Ao voltar aquele mesmo suspense, aquela mesma apreensão: será que foi rebocado? Será que foi furtado?

Andei 10 minutos até a delegacia mais próxima (há uma em cada bairro), onde fui atendido em 10 minutos para sair rapidinho em direção ao depósito, onde cheguei em menos de 20 minutos.

Uma vez no depósito descobri que funcionava 24horas/24 e 7dias/7 e lá mesmo poderia pagar (com cartão de débito) as taxas da diária e do reboque (a multa vai chegar pelo correio e será para pela internet): resultado, em menos de 10 minutos já saía com meu carro.

Claro que fiquei triste por ter o carro rebocado (mas estava errado, não posso reclamar) e por ter que pagar 171,00 Euros no total, mas fiquei feliz em não estar no Rio desta vez porque sabia que seria punido só uma vez.

Mas por via das dúvidas nunca mais vou dar uma de “parisiense folgado” – até porque não o sou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Normas para publicação: acusações insultuosas, palavrões e comentários em desacordo com o tema da notícia ou do post serão despublicados e seus autores poderão ter o envio de comentários bloqueado.