terça-feira, 15 de outubro de 2013

Frida Kahlo e Diego Rivera juntos no Musée de l'Orangerie em Paris



Em cartaz até o dia 13 de janeiro no Musée de l'Orangerie, em Paris, uma exposição única em seu gênero une a arte de Frida Kahlo e a de Diego Rivera ao mesmo tempo e com cerca de uma centena de obras do casal de pintores mexicanos.

As obras de Rivera (1886-1957), que se destacou por grandes pinturas murais que retratavam momentos históricos, contrastam nesta mostra com os quadros de pequeno formato de Kahlo (1907-1954), que protagonizou muitos autorretratos.

Segundo informações de María Llort, da Agência EFE, ambos os pintores refletem seu íntimo vínculo com o México através de retratos de operários e camponeses, e de elementos que refletem a influência que a arte pré-colombiana exerceu nas obras.

Leïla Jarbouai, uma das curadoras da exposição, explicou à EFE que Rivera é mais conhecido no México do que Kahlo, enquanto esta é mais famosa fora de seu país natal.

"Frida Kahlo tem uma arte mais universal porque não está tão ligada a um contexto histórico e ideológico, é mais atemporal, já que está relacionada à mitologia individual", explicou Jarbouai.

De fato, Kahlo queria dedicar-se à medicina, mas com o acidente de ônibus sofrido em 1925, foi obrigada a interromper seus planos e acabou por se aproximar da arte através dos auto-retratos, já que os pais a presentearam com uma caixa de pinturas e um espelho.

Assim, a artista mexicana se inspirou em sua própria imagem para criar obras "cheias de dor e sofrimento" que surpreendem também pela mistura de influências, que vão desde o renascimento italiano até a arte popular mexicana, afirmou a curadora da exposição.

Kahlo conseguiu um estilo muito característico, de modo que é possível reconhecer a artista inclusive em um auto-retrato na exposição no qual ela aparece atrás de uma máscara e no qual só é possível ver seu cabelo e mãos, contou Jarbouai.

Por outro lado, a obra de Rivera está mais vinculada às suas convicções políticas, já que ele militou no Partido Comunista, assim como Kahlo, e pintou diversos afrescos que refletem o mundo industrial.

A exposição começa mostrando o início cubista do pintor mexicano e sua evolução até ser considerado como o fundador da escola mexicana do Século XX, a escola nacionalista.

A mostra, além de expor os grandes murais pelos quais Rivera é conhecido, exibe alguns dos quadros pintados em cavaletes durante sua juventude, quando morou na Europa e na qual recebeu influências de artistas de Paris.

Junto com os trabalhos, o museu apresenta também 15 registros fotográficos de Rivera e Kahlo, cedidos pelo Centro Pompidou, da França, que servem para ilustrar a vida do casal, que se divorciou em 1939, voltando a se casar um ano mais tarde, embora ambos tenham tido diversos amantes.

Segundo Jarbouai, ainda que haja influência de Kahlo em algumas obras de Rivera, como os retratos de mulheres cercadas de flores, foi principalmente o pintor que mais interferiu na maneira de sua mulher pintar.

"Diego Rivera era 20 anos mais velho que Frida Kahlo e, quando se conheceram, ele já era um artista consagrado, reconhecido internacionalmente", explicou a curadora, que considera que Rivera introduziu sua mulher na arte pré-colombina. Frida Kahlo, no entanto, não ficou à sombra de seu marido, já que era envolvida na luta pela emancipação da mulher.

A exposição também conta com diversos desenhos usados no processo de preparação dos afrescos de Rivera e outros de Kahlo, menos conhecidos que seus quadros.

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